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segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Dada? Nada.



Dada significa nada. Pelo menos foi esse o significado que eu sempre dei a palavra. Acho que o termo se mistificou assim como a origem do personagem Coringa. Cada fonte diz uma coisa, Dadá: o som que os bebês fazem, Dadá: uma palavra escolhida ao abrir uma página aleatória de um dicionário, Dadá: Cavalo de Pau; tanto faz: nenhum dos nomes rotula o movimento. 



Principalmente porque o Dadaísmo não deveria fazer o menor sentido, começando pela falta de definição da palavra “sentido”. O Dada não se dá por construção. O Dada é. A ausência de metafísica que Fernando Pessoa tanto almejava e se contradizia ao discuti-la, o Dada foi o ID das vanguardas: instintivo, irracional, automático e instantâneo. Uma verdadeira cuspida na cara dos valores, sejam elas quais forem, rompimento com quaisquer regra. O manifesto se diz contra manifestos, estabelecendo toda a confusão do homem moderno, que busca basear-se no que não se baseia. Ser do contra somente para ser do contra: abolição de lógica, porque lógica aborrece. Nessa imensa falta do que nexo, os surrealistas foram os sãos de uma geração de loucos, que procuraram seus valores em primórdios sujando suas mãos de sangue, em uniformes civilizados e quepes obscenos. O caos quebrado e desastrado dos dada não se comparava ao caos milímetro dos que eram normais. Nesse caso, ser diferente era realmente ser normal. 


O Dada revolucionou na composição de arte, transformando o que fosse em arte. Sem questionamento, um mictório, como o de Duchamp, era obra prima. Tzara, autor do manifesto que não era manifesto, recomendava aos seus seguidores que fizessem poemas com palavras aleatórias recortadas de um jornal. O Dada chegou a decadência rápido. O Dada era a decadência. Sem sofisticação alguma, ele fracassou quando tomaram-lhe reflexão explícita, ganhando o que nunca quis ter, mas sempre teve: coerência.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Palestra sobre História da Arte promove multidisciplinaridade durante o ENIC


Evento que reúne todos os departamentos da UNITAU incentiva debates aprofundados


A 17ª edição do ENIC (Encontro de Iniciação Científica), promovido pela Universidade de Taubaté, ocorreu entre os dias 16 e 19 de outubro. O evento aberto ao público reuniu alunos dos cursos de todos os departamentos da instituição, oferecendo palestras, oficinas, minicursos e exposições. A programação do dia 18 contou com a palestra sobre Perspectivas da História da arte, além de outras atividades voltadas paras diversas áreas. 

A doutora Maria Januária Vilela Santos, que faz parte do corpo docente do curso de História do Departamento de Letras e Ciências Sociais, formada pela USP (Universidade de São Paulo) em Arquitetura e Urbanismo, comandou a conversa sobre os impactos e referências da sociedade na arte. De forma simples, sem slides e microfone, a professora conversou de maneira descontraída com cerca de vinte e cinco alunos, que participaram avidamente do debate, comentando as passagens históricas explanadas pela acadêmica.

 A palestra levou os alunos estabeleceu os parâmetros que definem a função social da arte, explicando sua evolução que decorreu de forma drástica durante a história mundial. Os egípcios e gregos representavam suas atividades através de desenhos, esculturas e murais, sempre de forma representativa ou figurativa. Além do cotidiano, as obras também registravam crenças decorrentes de uma obsessiva procura pelo sentido dos elementos presentes na sociedade. “A história pode ser completamente construída somente através da observação da arte”, explica a professora Januária. Dessa análise, é possível entender que ao decorrer dos séculos, sociedade buscou criar novos valores artísticos. A doutora ressalta eventos que alteraram a maneira de expressão civilização, como as crises pós-guerra, que assolaram os homens com uma tensão psicológica aguda, o que resultou no surgimento de vanguardas artísticas. A definição de valor de arte, consumo e sua aplicação, passou ser pauta de um mundo em estado de catarse. Inaugurando a época da Arte Contemporânea, Maria Januária destaca a metafísica presente na constante busca do espanto, marcando a individualidade psíquica de cada artista.

 
O debate sobre arte foi uma reivindicação dos alunos do curso de história, demonstrando o interesse dos alunos pelas diversas perspectivas atribuídas à matéria. Confirmando a interdisciplinaridade do tema, o estudo provocou uma reflexão sobre os impactos da arte na globalização. “A conversa entre as áreas forma um mundo de não só interligação das áreas de conhecimento, mas também a de pessoas”, explica a professora Maria Januária. “Hoje há uma tendência de integrar a forma de ensinar, transformando os fatos em conhecimento, para explicar como é o mundo”, disse a palestrante.
A respeito do evento, a aluna Priscila, do segundo ano do curso de História da UNITAU, conta que tem oportunidade de conhecer outras áreas durante o ENIC. Guilherme, outro universitário de história, complementa. “Gosto de assistir palestras de história e também de outros assuntos, ontem assisti uma de Letras” disse o estudante.

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Bom, essa é minha matéria da pauta do ENIC, galerinha. Gostei muito de conhecer um pouco do que é o curso de história.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Arte/Literatura #1 - Marcadores de página

Depois de ver esses marcadores temáticos de livros (foto abaixo), resolvi fazer um para a série que estou lendo atualmente: Crônicas Vampirescas.



Usei um papel um pouquinho mais grosso, desenhei os dentes com naquim (que não é nanquim) e o sangue é feito aquarela vermelha. Esse efeitinho de sangue escorrido é fácil de fazer, só pingar uma gota da aquarela e assoprar. Pra fazer as gotas, tem que respigar com o pincel molhado.



Juntei algumas imagens de marcadores legais:




terça-feira, 11 de setembro de 2012

Arte #1 - Les Fauves

Trabalho pra facul, é! Queria ter pegado o Surrealismo, mas... tudo bem, fica, não para o trabalho, mas sim para o próximo post.

LES FAUVES 




O fauvismo, ou fovismo, surgiu durante a explosão das vanguardas pós-impressionistas no século XIX. Ao contrário dos outros movimentos como o surrealismo, ou o dadaísmo, ele não vinha acompanhado de manifestos e ideologias. Inspirado principalmente em artistas como Van Gogh e Paul Gaugin, o movimento unificou a utilização de cores fortes e representação pictórica.
O termo “fauvismo” foi criado pelo crítico de arte Louis Vauxcelles, ao observar as obras de artistas do segmento no Salão dos Independentes.  Significa “os animais selvagens”, pelas cores intensas e tons dramáticos. A estética dessa vanguarda foi mercada pela liberdade de expressão, uso sentimental da cor, afirmada de forma intensa. Essas intervenções artísticas inovaram a arte parisiense.



Não se tratava de um movimento ideológico, não tinha princípios de comportamento. O conceito baseava-se principalmente no uso acentuado das cores, e da falta de precisão nos desenhos. Dessa forma, cada um de seus artistas teve a liberdade para trabalhar da forma que queriam , expressando suas individualidades.
Henry Matisse, um dos principais artistas do movimento, definiu o fauvismo como “Uma arte do equilíbrio, da pureza e da serenidade, destituída de temas perturbadores ou deprimentes”. A ela pode ser atribuído o hedonismo, ou seja, a procura pelo prazer como finalidade da vida, definida com cores a serem substantivadas, a falta da terceira dimensão no desuso de sombreamentos, no contraste e uso de tonalidades puras, ou seja, sem mistura de pigmentos. A linguagem é realista, apesar de não ter conotação política ou social, tentando despertar o “selvagem” de seu espectador.
Como um grande inspirador do fauvismo, Van Gogh foi um utilizador de cores fortes e expressivas. Influenciado por Paul Gauguin, Egdar Degas e Toulose-Lautrec, o aspecto impressionista é bastante evidente nas suas obras, como nas retratações de paisagens. Utilizava também pinceladas fortes, e prezava o recurso da luz. Outras características foram adotadas a partir da observação do romantismo, assim como no fauvismo. O que não pode ser comparado ao fauvismo é a constante busca pela representação de suas mágoas e loucura em suas telas, que eram extremamente pessoais, contrário a preceitos do segmento vanguardista.



Paul Gauguin também inspirou o fauvismo, com suas pinturas de cores intensas, pinturas consideradas verdadeiras alegorias, fazia grande uso de recursos como o contraste e priorizava figuras humanas, com pinceladas de cores puras e expressivas. Gauguin procurou levar as suas telas o simbolismo, buscando mais do que reproduzir a realidade, mas também, passar uma ideia. Assim como nas obras fauvistas, suas cores foram taxadas de irreais e exageradas.
Um dos consolidadores do fauvismo, responsabilizando-se por conceituá-lo, foi Henri Matisse. Em 1907, mergulhou no movimento, se tornando em um de seus símbolos ao utilizar a cor como o principal destaque de suas obras. Eliminou a profundidade, e trabalhou as formas de maneira livre, abusando da simplificação. Não tinha compromisso com o intelecto ou com sentimentos, e representava cenas reais, não necessariamente com realismo. As linhas eram utilizadas por ele como recurso simplificador e harmonizador.



Jean Puy foi também um dos primeiros fauves, participando do Salão de Outono. Pintou temas como o nu, a natureza morta, e mostrou robusta vitalidade em suas obras, fez formas simplificadas, que acendiam instintos de imediata sensação. Seu estilo, afirma principalmente, o fato do fauvismo permitir a liberdade entre seus adeptos, que utilizam de seus instintos para compor uma pintura. Henri Manguin, que participou da exposição Salão dos Independentes, retratou em suas pinturas o povoado de Saint Tropez, cenário constante de suas pinturas que utilizavam recursos e luz e cores fortes, assim como o Taiti foi inspiração de Gauguin.
Outros artistas do fauvismo foram profundamente ligados ao cubismo, sendo Georges Braque o fundador deste seguimento, juntamente com Pablo Picasso. Sua fase fauve foi curta, mas também fez uso de cores fortes e teve suas obras expostas no Salão de Outono. André Derain, que mais tarde também se voltaria para o cubismo, encontrou-se com Marrise e desenvolveu suas ideias voltadas as cores intensas. O artista demonstrou uma superfície mais tranquila, baseada em tonalidades quentes e harmônicas.



Maurice de Vlaminck, também fauvista, era profundamente ligado a Van Gogh. Uma frase atribuída a ele é “Quero incendiar a Escola de Belas Artes com meus vermelhos e azuis”. Com o passar do tempo, se distanciou do fauvismo para dedicar-se as suas características próprias. Raoul Dufy, como representante do mesmo segmento, pintava cenas urbanas e regatas marinhas. Também teve uma fase cubista e foi escultor, trabalhou com litografia e aquarela.



Emotivo, e nunca racional, o fauvismo, é retratado com positivismo. Dessa maneira, o segmento pode ser equiparado aos meios de comunicação visual atuais, que utilizam seus artifícios para atingir a massa. A propaganda e recursos gráficos de diagramação, por exemplo, despertam emoções através das cores, que pela psicologia, podem significar diversas coisas, apesar de se tratarem de elementos abstratos. Os elementos básicos como a forma, a textura, a dimensão e o movimento foram reconhecidos nas obras fauvistas, e são ilustrados como influência na comunicação de hoje.